Marcus Vinicius F. Beltran | 08/07/2005 - 14h49
Estamos vivendo em uma época cercada de fraudes de diversas origens e formas. Uma das fraudes mais comuns atualmente na Internet é a prática conhecida como Phishing Scam, que consiste basicamente no envio de e-mails fraudulentos, onde o autor, através de Engenharia Social, convence o usuário a baixar e executar um programa malicioso.
O usuário recebe um email fingindo tratar-se de uma notificação de dívida, uma irregularidade em seu CPF, um álbum de fotos de uma pessoa conhecida, cartões virtuais da pessoa amada, etc. Conforme os temas vão sendo abordados na web e ficando conhecidos, os autores criam novos temas com outros apelos, utilizando, por exemplo, a curiosidade do usuário. Podemos encontrar e-mails com textos que lembram da banda da banda Mamonas Assassinas, oferecendo o download de fotos do desastre que ocorreu com seus integrantes.
Muitas vezes o email finge ser uma mensagem autêntica, proveniente de uma grande empresa, trazendo uma boa formatação, logotipos e outras características de cada empresa. Em outras ocasiões, é apenas um assunto curioso que leva a vítima a efetuar o download e executar o arquivo. Quase sempre estes arquivos ficam hospedados em servidores gratuitos ou comprometidos fora do Brasil, o que dificulta o rastreamento ou mesmo a remoção do arquivo para diminuir o número de pessoas infectadas.
O arquivo nem sempre é barrado por um antivírus, o que aumenta o poder do golpe. Como são feitas inúmeras versões dos programas, existe uma demora para que eles sejam reconhecidos pelos antivírus. Esse tempo é explorado pelos fraudadores.
Depois que o usuário executa o trojan, nada acontece. Em alguns casos ocorre uma mensagem de erro, obviamente falsa, apenas para que o usuário pense que o programa não funcionou e não suspeitar da verdadeira origem do software executado. Agora este trojan vai ficar monitorando o acesso aos sites da Internet e irá “acordar” quando o usuário estiver acessando a sua conta bancária.
Como os bancos constantemente estão aumentando a segurança em seus sites, os trojans têm que se adaptar à essa situação. No passado, a técnica utilizada para adquirir os dados de correntistas era baseada na gravação das teclas digitadas e posterior envio por email. Com o advento dos teclados virtuais e outras técnicas desenvolvidas pelos bancos, os keyloggers foram substituídos por programas que alteram ou mesmo sobrepõe as telas
originais dos bancos. Temos a falsa sensação de segurança quando clicamos nossas senhas ao invés de digitarmos, pois os trojans atuais imitam a tela do sistema de login do banco.
Mas atenção: o sistema de login pede apenas informações básicas para o acesso à conta. Já os trojans solicitam todos os seus dados, além da senha de acesso. É comum solicitarem CPF, data de nascimento a senha do cartão como números de seu cartão (isso pode variar em cada banco). Essa solicitação é única em uma só tela ou dividida em várias telas (normalmente seguidas). É fácil identificar que algo está errado. Se você for vítima, pare a operação e comunique o banco.
Quando o usuário coloca todas as informações de acesso completo à sua conta, normalmente o trojan exibe uma falsa informação de erro e fecha o navegador. Neste momento, o trojan envia, normalmente através de email, as informações do correntista. Em grande maioria, são utilizados emails em provedores gratuitos e quase sempre fora do Brasil. Assim como na hospedagem dos programas, isso dificulta o rastreamento e identificação dos crackers.
A mecânica destes programas é diferente de outros trojans que abrem uma BackDoor no sistema. Ao invés de termos uma porta aberta esperando que o computador seja invadido, o próprio trojan envia as informações para o destinatário (cracker).
Já de posse dos dados do correntista, o cracker vai testar as informações no própio site do banco. Ele analisa saldo e datas de eventuais recebimentos (como salários). Avalia ainda as restrições da conta, como limites de valores para transferências, DOCs, etc. Os dados serão guardados para posterior utilização de acordo com o perfil da conta.
Os crackers subtraem valores das contas de várias formas:
(*) estas transações normalmente são efetuadas para contas de laranjas que possuem contas com nomes e documentos falsos e até mesmo para suas próprias contas.
Os crackers programam suas operações de forma que farão a maior quantidade de transações permitidas em um ou dois dias seguidos, sendo que quando o correntista nota o golpe, já é tarde demais. Assim que o correntista comunica o fato ao
banco, normalmente o acesso à sua conta é bloqueado por vários dias, enquanto o banco pratica a perícia para comprovar se houve fraude.
Normalmente o correntista é ressarcido pelo banco, que devolve à C/C a quantia total da fraude. Entretanto, são vários dias com a conta bloqueada e sem cartão. Quem é que paga por toda essa dor de cabeça?
Especialista em redes, servidores Microsoft e segurança da informação, Marcus Vinicius F. Beltran atua como consultor de empresas na prevenção e investigação de fraudes.