Códigos maliciosos que podem infectar aparelhos móveis estão evoluindo e se espalhando. Mas será que o problema realmente existe?
Redação Linha Defensiva | 21/09/2005 - 16h34
Com quase 80 milhões de linhas habilitadas (2,4 milhões só no mês de agosto), o celular é o dispositivo digital pessoal mais comum no Brasil. Essa popularidade atraiu a atenção dos criadores de vírus, que começaram a criar pragas que atacam esses aparelhos.
Mas fique tranqüilo (por enquanto). O seu celular não deve estar infectado por nenhuma dessas pragas porque elas são capazes de atacar somente aparelhos rodando o sistema operacional Symbian na plataforma Série 60 da Nokia (utilizada também em alguns poucos aparelhos da Samsung, Siemens, Panasonic e Lenovo). Esses aparelhos são chamados de smartphones — telefones inteligentes — e possuem um preço elevado se comparado aos telefones móveis que dominam o mercado brasileiro.
Os smartphones da Série 60 integram funções de PDAs comuns em Palmtops. Qualquer pessoa pode desenvolver programas para aparelhos da Série 60, que são arquivos com a extensão .sis. Por ser um sistema programável, códigos maliciosos podem ser feitos para atacar esses aparelhos. Você pode conferir a lista de aparelhos compatíveis no site oficial da Série 60.
Se você não possui um aparelho daquela lista, nenhum vírus existente ataca o seu aparelho. O mercado de aparelhos móveis está em alta, e é possível que esses aparelhos (hoje inacessíveis para muitas pessoas) se tornem cada vez mais populares e os vírus consigam se espalhar mais livremente.

Doomboot finge ser Doom 2
Se você possui um celular da Série 60, a única maneira de pegar um vírus é se você executar um arquivo .sis infectado.
A maior fonte de pragas, atualmente, são softwares piratas. Alguns até mesmo fingem ser um antivírus crackeado (pirateado) para os aparelhos. Além de antivírus, aplicativos comuns, tais como utilitários (gerenciadores de aparência) e jogos (como a foto que mostra um uma suposta versão pirateada de Doom 2).
Outra fonte de arquivos SIS infectados são de aparelhos contaminados. Os aparelhos contaminados por worms como o Cabir e o Commwarrior se espalham de duas formas:
O Bluetooth é um protocolo para transmissão de dados sem o uso de fios (”wireless”). Os telefones móveis da Série 60 possuem Bluetooth integrado. Se um aparelho estiver contaminado com um worm que se espalha via Bluetooth (Cabir), ele vai procurar qualquer aparelho por perto que possa receber o sinal e enviará o arquivo SIS infectado para esse dispositivo. O Bluetooth possui um alcance curto (apenas alguns metros) e por esse motivo o Cabir está se espalhando vagarosamente.
O Cabir já causou problemas em feiras de tecnologias onde há grande concentração de pessoas que possuem telefones com capacidade para receber o sinal de bluetooth.
O usuário infectado pelo Cabir ou por outro worm que se espalha via bluetooth poderá notar um aumento no uso da bateria.
O Commwarrior foi o primeiro worm a se espalhar via MMS. MMS são mensagens multimídia que podem conter arquivos anexados (de forma semelhante ao e-mail). Vários celulares comuns e baratos já possuem suporte a MMS, mas o arquivo SIS enviado por um aparelho contaminado não poderá ser executado pelo usuário se o celular não for compatível com um modelo da Série 60.
O Commwarrior lembra muito os worms de e-mail existentes para PCs: depois de contaminar o celular, ele envia MMS para todos os números da agenda com o arquivo SIS infectado anexado.
Além de poder se espalhar mais rapidamente (já que MMS não possui as limitações de alcance que possui Bluetooth), o usuário terá de pagar a conta das mensagens MMS enviadas pelo worm.
O Commwarrior também se espalha via Bluetooth (acima), dependendo do horário.