Direito e Tecnologia

Direito e Tecnologia | 25/07/2016 14h39 - Atualizado em 10/08/2016 11h16

Oi WiFi Fon e o milagre dos hotspots

Empresas utilizam modens residenciais como hotspots. (Foto: Mike Gieson/FreeImages)

Empresas utilizam modens residenciais como hotspots. (Foto: Mike Gieson/FreeImages)

Há cerca de três anos, a Oi passou a implementar o serviço Oi WiFi Fon, em parceria com a Fon Wireless Ltd., empresa que oferece soluções em acesso wi-fi ao redor do mundo, através de hotspots.

A rede Fon consiste, basicamente, em utilizar um roteador com wireless como um ponto de acesso (hotspot) para pessoas que estejam ao alcance desta rede. Para isto, são criados dois segmentos de rede wireless, uma dedicada ao próprio usuário (rede privada) e a outra para funcionar como um hotspot (acesso ao público).

De acordo com a Oi, o serviço apenas está disponível para quem contratar velocidade acima de 5 megas, e “a rede pública compartilhará até 1 Mbps da velocidade total contratada”. O serviço, porém, só funcionará se o roteador possuir um firmware específico, baseado no sistema open source OpenWrt.

Desta forma, usuários que autorizam a rede Fon (chamados de “foneros”) podem utilizar outros hotspots da rede de forma gratuita. O sistema, portanto, se aproxima do modelo de economia colaborativa, e vem atraindo o interesse de outras prestadoras de banda larga. A NET, por exemplo, que já havia instalado pontos de acesso próprios em locais públicos, passou a utilizar os modens dos clientes no chamado #NET-WiFi. Da mesma forma, a Vivo anunciou o serviço Vivo Travel Wi-Fi que, na prática, funcionará do mesmo jeito.

No entanto, a maioria destes serviços permitem que outros usuários que não façam parte do programa (chamados de “aliens”) possam utilizar a conexão, desde que paguem por isso. E aqui está o problema: o cliente residencial estaria, a partir do serviço contratado e pago mensalmente, gerando mais lucros para a empresa. E tudo isso ainda consumindo parte da banda de conexão.

Gradualmente, a empresa de banda larga passou a substituir os modens por outros com o firmware da rede Fon, sendo pré-ativada no momento da instalação. Com isso, a Oi passou a contar com quase 2 milhões de hotspots no Brasil.

Outro problema é que muitos usuários não sabem que este serviço está habilitado em seus modens. Na verdade, a rede Fon é opcional, como se verifica na seguinte cláusula do mais recente contrato de prestação do serviço:

Adicionalmente o cliente poderá, sem custos adicionais, aderir a facilidade da rede Oi WiFi Fon. O serviço Oi WiFi Fon habilitado dividirá a rede do cliente em uma rede privada (com acesso bloqueado através de senha pessoal do cliente Oi Velox) e uma rede pública (com acesso através de login e senha dos usuários temporários). A rede pública compartilhará até 1 Mbps da velocidade total contratada e será usada, de forma estatística, somente se os usuários temporários estiverem autenticados simultaneamente na mesma. Com a rede Oi WiFi Fon habilitada, o Cliente Oi Velox poderá acessar os demais pontos de acesso da rede Oi WiFi Fon, assim como os pontos da rede Fon no mundo, conforme mapa disponível no site www.oi.com.br/oiwifiempresarial.

Há duas formas simples de desabilitar o serviço. O primeiro se encontra nas configurações do modem/roteador, através do caminho 192.168.1.1/fon (ou endereço equivalente do modem). A segunda forma é entrando em contato com o atendimento Oi WiFi (0800 643 0328).

Modelo desafia a lógica

Como já visto, a Oi WiFi Fon não é o único serviço que oferece hotspots a partir da conexão dos usuários, embora seja o mais conhecido.

Há pontos positivos neste modelo colaborativo de acesso: o usuário tem direito a escolha de compartilhar sua conexão e, em troca, poder utilizar a conexão de outras pessoas. Também se visualiza o aumento do número de hotspots, possibilitando socorrer quem precisa utilizar a internet.

O problema começa quando envolve o lucro envolvendo os próprios usuários, sem qualquer esforço da empresa. Não há uma melhora na qualidade do serviço e nem uma compensação ao cliente que habilita a rede pública. É como se resolvessem alugar o quintal de sua casa, não utilizada, para alguém dormir.

Não se verificam normas específicas sobre este tipo de conduta, embora mais se aproxime do enriquecimento sem causa, através de uma espécie de “carona”. Na verdade, não é possível ao cliente “alugar” sua própria conexão a outras pessoas, mas, pelo visto, a empresa de banda larga poderá.

 

Comentários 3

Os comentários são de responsabilidade de seus respectivos autores

  • Pontifix

    Esse problema como já dito no texto já acontece a um bom tempo, mas antes tarde do que nunca o alerta. Já existe vários tópicos em fóruns sobre como desabilitar o wififon.

    O pior de tudo é a habilitação automática. Ou seja, os leigos não sabem que estão habilitando o fon, não conseguem ver que seu modem/roteador habilita outra rede além da sua. O pior mesmo, seria um possível risco de segurança, e não me venham falar que o modem cria vlans no quais garantiria a segurança interna criada pela rede do cliente, pois em informática não existe segurança 100%…

    Assim: cria-se uma rede sem mesmo o usuário permitir, possibilitando que outros usem sua banda sem sua autorização com possíveis riscos a segurança, mesmo que essa seja 0,0000000000001%.

    Me lembro de uma etiqueta fluorescente da oi ” não desligue seu modem, fique com ele ligado o máximo possível, assim a oi poderá oferecer serviços melhores” ou algo parecido, depois que fiquei sabendo da OI FON é que eu liguei as coisas.

  • Animous

    esua oi wifi fon e uma merda a net e ruim lenta e uum BOSTA

  • Tiago

    Caraca, lá fora o compartilhamento é algo natural , inclusive na Ásia a internet é quase que comunitária, no Brasil as pessoas parecem um bando de morto de fome, visão de um país medíocre onde cada um é o lobo do outro.

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