Altieres Rohr | 12/08/2010 - 22h49
Fui ao médico um tempo atrás. Não era a primeira vez, nem naquele consultório específico. Mas a secretária me chamou porque precisava atualizar meus dados. Ela confirma as informações que forneci em outra ocasião, e pede que eu coloque meu dedo num pequeno aparelho ligado ao PC. Era um leitor de digital. Em poucos minutos, meus dois dedos indicadores estavam armazenados no computador do médico.
Conversando com um especialista em segurança esta semana, ele me disse que a prática era provavelmente para coibir fraudes. Mas se o médico já tinha meu RG, CPF, número de telefone, endereço e o número do cartão do meu plano de saúde, por que ainda precisava da minha digital?
Trata-se do contínuo fracasso na proteção dos dados. Não há no Brasil uma consciência coletiva a respeito da necessidade de proteger os números dos documentos que garantem a segurança da nossa identidade. Até a TV já mostrou a facilidade com que é possível encontrar os dados da Receita Federal, por exemplo.
Criminosos conseguem criar documentos falsos e títulos de eleitores para fantasmas. Podem pegar empréstimo em seu nome e, por que não, ir ao médico com o seu plano de saúde.
Quando pediram nome, endereço e telefone, essa informação vazou. Pediu-se RG, e o RG vazou também. Depois o CPF. E agora que nenhuma dessas informações pode ser confiada para garantir a identidade, resta armazenar a digital do cidadão.
Dessa vez, no entanto, há um motivo a mais para se preocupar. É possível trocar o número do RG e do CPF, por mais que isso possa gerar uma dor de cabeça. Mas aguardo para saber qual será a solução para trocar o dedo, quando criminosos derem um jeito de enganar o sistema de leitura digital — e digo esse último “digital” me referindo ao sistema de zero e um, porque toda informação digital pode ser lida ou representada de mais de uma forma, e basta descobrir uma maneira de gerar o conflito.
Altieres Rohr | 12/01/2010 - 14h44
O The Washington Post fez uma decisão equivocada ao demitir o repórter Brian Krebs. Krebs é um dos melhores jornalistas que atuam no campo de segurança da informação — isto se não for o melhor. Ele foi responsável por reportagens que realmente fizeram diferença e que chegaram a tirar da web redes criminosas inteiras.
A competência de Krebs não foi suficiente para salvá-lo da crise da imprensa norte-americana. Para quem não sabe, a imprensa nos Estados Unidos enfrenta uma forte crise, acentuada pela recessão de 2008 causada pelo caos financeiro mundial. Jornais vendem cada vez menos, e muitos já foram fechados completamente. Mesmo jornais grandes como o New York Times estão com dificuldades — não para se manter no verde, mas para poupar a tinta vermelha.
Há indícios de uma vagarosa recuperação, mas o medo ainda não saiu das redações. Jornais e outros veículos continuam demitindo funcionários, jornalistas ou não, traçando novas estratégias e mudando o foco para coberturas diferentes. Ironicamente, isso tem afetado negativamente a qualidade das coberturas, colocando a imprensa num ciclo da qual ela parece cada vez mais incapaz de quebrar: menos leitores levam a menos faturamento, que leva a demissões, que levam a coberturas mais superficiais, que afastam mais leitores…
Pelo menos Krebs não desistiu do jornalismo e foi para a assessoria de imprensa como outros profissionais da área (Ryan Naraine, Joris Evers). Krebs continua publicando conteúdo de qualidade no seu novo blog, Krebs on Security. Desejo sorte a ele nessa nova empreitada, tanto pelo noticiário de segurança da informação, como por Krebs em si, que é um excelente jornalista.
Altieres Rohr | 02/10/2009 - 21h12
Se vírus de Mac “não existem”, pelo menos a contaminação já tem preço: aproximadamente 80 centavos de real, segundo um pesquisador da Sophos. Há menos de um mês tentei debater o assunto com o jornalista Philip Elmer-DeWitt, especializado em cobertura da Apple, que havia afirmado a inexistência de vírus para Mac, mas ele não mudou de opinião. Com essa nova informação sobre a comissão paga por infecções de Macs, a realidade volta a bater na porta dos fãs da Apple: não há nada no Mac que o torne desinteressante ou imune a pragas digitais.
Infelizmente, a realidade não tem impedido a Apple de veicular, em 2006, um anúncio que deixa nas entrelinhas a ideia de que Macs simplesmente não pegam vírus. Confira o anúncio abaixo. Este ano, a empresa voltou a falar dos “milhares de vírus” do Windows.
Felizmente, a realidade não tem impedido a Apple de investir na segurança do seu sistema operacional. O OS X Snow Leopard ganhou uma proteção antivírus rudimentar (também para esses vírus que não existem…) e o site do MacOS X tem uma página exclusiva para falar de segurança.
No início do ano, escrevi um post aqui no blog da Linha Defensiva dizendo que sim, existem vírus para Mac. E repito o argumento: quem disser que “não há vírus” para a plataforma da Apple está utilizando uma questão meramente semântica para enganar.
Que o risco de infecção em um Mac é menor, isso não há dúvida. E o interesse dos criminosos também não chega no mesmo nível: um computador Windows infectado pode valer até 20 centavos a mais do que o OS X.
Mas usar isso para dar um salto direto para o “não há vírus” ou para o “não há risco” é desonesto. É um puro e simples desserviço aos internautas e à própria segurança da informação.
Pragas de grande impacto continuam aparecendo, apesar de aposta da indústria antivírus para o contrário
Decisão não dá conta do problema e usa lógica equivocada para se sustentar
Praga digital infecta ferramenta usada para criar softwares e passou despercebida até por programadores de vírus.
Equipe de cinco voluntários analisa e-mails encaminhados para comunicar autoridades, provedores de serviço e manter ferramenta antivírus.
Ferramenta já acumula 800 mil downloads em sua versão 3.0. Com novas atualizações, número de arquivos e registros removidos passa dos 3.600.